O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que sugeriu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de dois grupos de trabalho voltados à cooperação entre os países. Um deles teria atuação multilateral no combate ao crime organizado internacional, enquanto o outro seria bilateral, focado em comércio e tarifas.
A declaração foi feita nesta quinta-feira (7), após reunião entre os dois líderes na Casa Branca, em Washington. Segundo Lula, o encontro reforçou a relação diplomática entre Brasil e Estados Unidos e demonstrou que os dois países podem atuar de forma conjunta em temas estratégicos.
O presidente brasileiro afirmou que o país está aberto a ampliar parcerias internacionais “sem vetos” e destacou que houve discussão sobre segurança pública e enfrentamento às facções criminosas. Lula defendeu uma cooperação internacional para combater organizações criminosas e disse acreditar que a união entre os países pode trazer resultados históricos no setor.
Apesar do debate sobre segurança, a possibilidade de classificar facções como Primeiro Comando da Capital e Comando Vermelho como organizações terroristas não entrou na pauta da reunião.
Na área econômica, Lula afirmou estar otimista quanto à possibilidade de evitar novas tarifas sobre produtos brasileiros e revelou ter sugerido um grupo de negociação comercial liderado pelo chanceler Mauro Vieira. A expectativa é buscar um acordo em até 30 dias.
Durante a coletiva, o presidente também ressaltou o superávit comercial dos Estados Unidos na relação bilateral e defendeu maior aproximação econômica entre os países. Segundo ele, tanto os EUA quanto a Europa reduziram a atenção dada à América Latina nos últimos anos, mas o acordo entre Mercosul e União Europeia pode representar uma retomada desse interesse.
Sobre política internacional, Lula criticou possíveis interferências externas nas eleições brasileiras, embora tenha classificado a relação com Trump como “honesta”. Ele também afirmou acreditar que o presidente americano deixará de interferir em assuntos internos do Brasil.
Ao tratar dos minerais críticos e das chamadas terras raras, Lula destacou que o tema será tratado como questão de soberania nacional. Segundo ele, o Brasil pretende fortalecer sua cadeia produtiva e não atuar apenas como exportador de matéria-prima, embora mantenha abertura para investimentos estrangeiros.
O presidente ainda voltou a defender a reforma do Conselho de Segurança da ONU e criticou a concentração das decisões globais nas atuais potências permanentes. Segundo Lula, o Brasil precisa ampliar sua participação nos fóruns internacionais.
Durante o encontro, Lula afirmou ter entregue a Trump uma lista de autoridades brasileiras impedidas de entrar nos Estados Unidos, incluindo ministros do STF e aliados do governo. Segundo ele, existe expectativa de revisão dessas restrições impostas durante o período de tensão diplomática entre os dois países.
Ao comentar conflitos internacionais, o presidente defendeu soluções diplomáticas e voltou a criticar a guerra entre Israel e Hamas, classificando o cenário em Gaza como um “genocídio na Palestina”. Lula também reiterou a defesa do desarmamento nuclear e da retomada de debates globais sobre redução de arsenais atômicos.
O chanceler Mauro Vieira avaliou a reunião como “muito produtiva” e afirmou que Brasil e Estados Unidos saíram do encontro com áreas concretas de cooperação.









