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A proposta de delação premiada apresentada pela defesa do fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro, começou a gerar desconforto dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR). O empresário se comprometeu a devolver R$ 40 bilhões aos cofres públicos, mas quer realizar o pagamento de forma parcelada ao longo de dez anos.
A avaliação nos bastidores do STF é de que o prazo apresentado pela defesa é considerado excessivo e compromete um dos principais objetivos dos acordos de colaboração: a recuperação rápida de recursos desviados.
A proposta foi entregue na terça-feira (5) pelo advogado José Luis de Oliveira Lima, conhecido como Juca. Segundo interlocutores ligados às investigações, a estratégia da defesa seria ganhar tempo enquanto tenta encontrar possíveis falhas processuais que possam futuramente beneficiar Vorcaro judicialmente.
Os anexos com informações oferecidas pelo empresário já foram encaminhados à Polícia Federal e à Procuradoria-Geral da República, que ainda irão avaliar a utilidade do conteúdo antes de eventual homologação pelo Supremo. O relator do caso, ministro André Mendonça, ainda não recebeu formalmente o material.
A expectativa é de que a análise mais aprofundada da delação ocorra entre junho e julho deste ano. Nos bastidores, existe preocupação com o potencial impacto político das revelações, principalmente pela possibilidade de atingirem integrantes dos Três Poderes às vésperas das eleições de 2026.
Operação mira senador e amplia pressão
Nesta quinta-feira (7), o ministro André Mendonça autorizou a quinta fase da Operação Compliance Zero, que tem como um dos alvos o senador Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil do governo Bolsonaro.
Na decisão, o magistrado afirma que a relação entre Vorcaro e o senador “extrapola a amizade” e aponta indícios de um “arranjo funcional” voltado à obtenção de benefícios mútuos.
As suspeitas surgiram a partir de documentos e conteúdos extraídos de celulares apreendidos pela Polícia Federal durante as investigações. Parte das informações, segundo investigadores, sequer integra a proposta de colaboração apresentada pelo banqueiro.
O ministro cita ainda movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo pagamentos mensais que teriam começado em R$ 300 mil e posteriormente alcançado R$ 500 mil.
Outro ponto citado na investigação envolve uma emenda apresentada por Ciro Nogueira à PEC da autonomia do Banco Central, em 2024. Segundo a Polícia Federal, o texto teria sido elaborado pelo próprio Daniel Vorcaro e previa ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF, medida que beneficiaria diretamente o Banco Master.







