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06 de Maio de 2026

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Política Brasil Sexta-feira, 06 de Março de 2026, 14:37 - A | A

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Investigação

Mensagens entre dono do Banco Master e Moraes no dia da prisão vêm à tona

Reportagem publicada pelo jornal O Globo revelou que o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, trocou mensagens por WhatsApp com o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, ao longo do dia 17 de novembro de 2025 — data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal.

Segundo o jornal, que afirma ter tido acesso a registros extraídos do celular do executivo, as conversas ocorreram entre 7h19 e 20h48. Nos diálogos, Vorcaro relataria ao ministro negociações em andamento para tentar evitar o colapso do Banco Master. Em uma das mensagens, ele menciona tratativas com a financeira Fictor e afirma que buscava antecipar investidores para anunciar parte de um acordo ainda naquele mesmo dia.

Ainda de acordo com a reportagem, Moraes teria respondido utilizando mensagens de visualização única. Nesse formato, o conteúdo é enviado por meio de imagens que desaparecem após serem abertas. Os textos teriam sido escritos em um bloco de notas, transformados em captura de tela e enviados instantaneamente.

No período da tarde, por volta das 17h22, Vorcaro informou ao ministro que havia conseguido avançar nas negociações. Ele disse ter feito uma “correria” para tentar salvar a instituição e afirmou que parte da transação seria anunciada naquele momento à imprensa.

Os dados citados pela reportagem indicam que o ministro teria respondido em algumas ocasiões. Em uma delas, o empresário aparentemente esclarece um questionamento feito por Moraes sobre o anúncio do acordo. Em outro momento, Vorcaro pergunta se havia “alguma novidade” ou se algo havia sido “bloqueado”, sem detalhar exatamente a que se referia.

Procurada pela imprensa, a assessoria de Alexandre de Moraes negou a existência das mensagens mencionadas. Em nota, afirmou que o ministro “não recebeu essas mensagens referidas na matéria” e classificou o conteúdo divulgado como uma tentativa de atacar o Supremo Tribunal Federal.

Daniel Vorcaro foi preso na noite daquele dia no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, quando se preparava para embarcar para o exterior. A defesa alegou que ele viajaria a Dubai para concluir negociações envolvendo a venda do banco. Investigadores, no entanto, afirmaram que o destino final seria Malta, indicando possível tentativa de deixar o país antes da prisão.

No dia seguinte à detenção do empresário, o Banco Central decretou a liquidação do Banco Master. A instituição já enfrentava investigações relacionadas à tentativa de venda de carteiras de crédito consideradas fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB).

No mesmo período, o grupo Fictor anunciou a intenção de adquirir o banco, com previsão de injetar cerca de R$ 3 bilhões em capital. A identidade dos investidores envolvidos na operação, que incluiria um consórcio ligado aos Emirados Árabes, não chegou a ser divulgada publicamente.

Outra informação revelada anteriormente pelo jornal aponta que o Banco Master teria contratado, no início de 2024, um escritório de advocacia ligado a familiares do ministro Alexandre de Moraes. O contrato, segundo a reportagem, teria valor mensal de R$ 3,6 milhões para atuação na defesa de interesses da instituição financeira.

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