O vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quinta-feira (5) que deve deixar o comando do ministério no prazo previsto pela legislação eleitoral, em 4 de abril, para poder participar das eleições.
Apesar da confirmação da saída da pasta, Alckmin não detalhou qual cargo pretende disputar em 2026. Nos bastidores do governo federal, há negociações para definir se ele permanecerá como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ou se tentará uma candidatura majoritária em São Paulo, podendo concorrer ao governo do estado ou ao Senado.
As articulações também envolvem o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que vem sendo pressionado por integrantes do PT a disputar o Palácio dos Bandeirantes. Haddad ainda não confirmou publicamente a candidatura, mas interlocutores avaliam que ele demonstra menos resistência à possibilidade.
Questionado sobre prazos eleitorais, Alckmin explicou que não precisa se afastar da vice-presidência para disputar uma eleição, apenas do ministério que ocupa atualmente.
— A vice-presidência não exige desincompatibilização, apenas o cargo de ministro — afirmou.
Mesmo que não dispute diretamente um cargo em São Paulo, Alckmin é considerado peça importante nas estratégias eleitorais do governo. Com forte influência no interior paulista, ele pode atuar como articulador político, principalmente em setores onde o governo Lula enfrenta maior resistência, como o agronegócio.
A avaliação de aliados é que, caso Haddad concorra ao governo paulista, Alckmin pode ter papel relevante na campanha, ajudando a ampliar o diálogo com diferentes segmentos do estado.
Atualmente, tanto Alckmin quanto Haddad ocupam posições estratégicas na administração federal, o que faz com que qualquer decisão eleitoral tenha impacto também na formação da chapa presidencial.
Segundo interlocutores próximos ao vice-presidente, sua preferência seria continuar como companheiro de chapa de Lula. No entanto, dentro da base governista há discussões sobre alternativas para acomodar alianças com partidos de centro.
Com mais de 50 anos de trajetória política, Alckmin continua sendo um dos principais articuladores do campo governista. Uma eventual candidatura em 2026 representaria mais um capítulo de uma carreira que atravessa diferentes fases da política brasileira.
Aliados do governo defendem caminhos distintos para o vice-presidente, desde a manutenção da atual chapa presidencial até a participação em outras disputas eleitorais. Dirigentes do PT afirmam que ele terá liberdade para escolher qual cargo pretende disputar, enquanto lideranças políticas avaliam possíveis alianças para o próximo pleito.
Nos bastidores também circulam especulações sobre mudanças na composição da chapa presidencial, como parte da estratégia de ampliar o apoio de partidos de centro. Publicamente, porém, Alckmin tem mantido discrição e afirma que a definição sobre seu futuro eleitoral será tomada apenas mais adiante.
Figura histórica do PSDB por mais de três décadas, Alckmin disputou a Presidência da República em 2006 e 2018. Em 2021, deixou o partido e se filiou ao PSB, passando a integrar a chapa de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2022.
A aliança, que reuniu antigos adversários políticos em uma frente ampla, saiu vencedora no segundo turno. Desde 2023, Alckmin exerce o cargo de vice-presidente e acumula também o comando do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.
Médico e professor universitário, ele construiu sua carreira política em São Paulo, onde foi prefeito de Pindamonhangaba, deputado estadual, deputado federal e vice-governador antes de assumir o governo paulista em 2001. Ao todo, governou o estado por quatro mandatos, tornando-se o político que mais tempo permaneceu à frente do Palácio dos Bandeirantes desde a redemocratização.
No ministério, Alckmin tem liderado a política de reindustrialização do governo federal, com iniciativas voltadas ao fortalecimento da indústria, atração de investimentos e ampliação das exportações brasileiras. A pasta também conduz programas de incentivo à inovação e à produção nacional dentro da política industrial chamada “Nova Indústria Brasil”.
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