DÓLAR R$ 4,93 | EURO R$ 5,80
06 de Maio de 2026

06 de Maio de 2026

Mato Grosso Sábado, 07 de Março de 2026, 08:24 - A | A

Sábado, 07 de Março de 2026, 08h:24 - A | A

ALMT fortalece políticas públicas e amplia espaço das mulheres no esporte em Mato Grosso

O Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), vai além de homenagens simbólicas e convida à reflexão sobre direitos, oportunidades e maior participação feminina em diferentes áreas. Na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), esse compromisso tem sido traduzido em leis e iniciativas que incentivam a presença das mulheres no esporte e reforçam políticas públicas voltadas à igualdade.

No cenário nacional, o esporte feminino tem apresentado avanços importantes. Estudos indicam aumento no interesse das mulheres por atividades físicas desde 2020. Outro marco foi registrado nos Jogos Olímpicos de Paris, quando, pela primeira vez, as mulheres foram maioria na delegação brasileira, ocupando 55% das vagas — resultado de um processo gradual de fortalecimento da participação feminina nas competições.

Em Mato Grosso, esse movimento também tem ganhado respaldo por meio de iniciativas aprovadas no Parlamento estadual. Um exemplo é a Lei nº 11.553/2021, de autoria do deputado Paulo Araújo (PP), que criou o Programa de Incentivo à Prática de Futebol Feminino no Estado. Para o parlamentar, a medida representa uma política pública com forte impacto social.

“A Lei nº 11.553, de nossa autoria, é mais do que um incentivo ao esporte, é um instrumento de transformação social. O futebol feminino garante oportunidade, autoestima e protagonismo às nossas meninas e mulheres. Nosso compromisso é assegurar espaço, respeito e investimento para que elas ocupem todos os campos que desejarem, dentro e fora do esporte”, afirmou.

Outra iniciativa é a Lei nº 11.734/2022, proposta pelo deputado Carlos Avallone (PSDB), que instituiu o Programa Mato Grosso Série A e passou a garantir apoio financeiro também às equipes femininas que disputam competições nacionais. De acordo com o parlamentar, o projeto original enviado pelo Executivo previa recursos apenas para times masculinos.

“Com a mudança promovida por meio da nossa Lei nº 11.734/2022, as equipes femininas puderam investir e fortalecer seus elencos. A nova legislação fez justiça às mulheres, que já vinham apresentando rendimento expressivo em todas as categorias do futebol e precisavam de apoio. Por isso asseguramos às mulheres o mesmo incentivo financeiro dado pelo governo do Estado aos homens”, destacou.

Avallone lembra ainda que a medida contribuiu para o fortalecimento de equipes locais, como as “Tigresas” do Mixto Esporte Clube. O time conquistou de forma invicta o título da Série A3 do Campeonato Brasileiro feminino, garantiu acesso à Série A2 e, nesta temporada, disputa a Série A1, a elite do futebol feminino nacional.

O reflexo dessas políticas é percebido no próprio Mixto, que atualmente disputa a Série A do Campeonato Brasileiro Feminino e se tornou o único representante de Mato Grosso e da região Centro-Oeste na elite nacional, tanto no masculino quanto no feminino.

Recém-chegada ao clube, a atacante Andressa Anjos, de 26 anos, iniciou no futebol em um projeto social criado por seu pai, em Mogi das Cruzes (SP). Até os 14 anos jogava com meninos, mas precisou migrar para o futebol feminino por falta de competições mistas.

“Ter incentivo nas escolas e apoio financeiro aos clubes é algo sensacional. É na iniciação que se formam atletas. Se todos os estados tivessem políticas assim, o futebol feminino estaria em outro patamar”, afirmou.

A meio-campista Isabela Mello, que também reforça o elenco do Mixto nesta temporada, começou no esporte aos 12 anos em um projeto voltado a crianças em situação de vulnerabilidade social e se profissionalizou aos 15 pelo Atlético Mineiro.

“Já passou da hora de esperar resultados para depois apoiar. É preciso primeiro oferecer condições de trabalho e incentivo. O Mixto é reflexo disso. Com apoio, os resultados aparecem”, destacou.

Outro avanço importante veio com a Lei nº 12.315/2023, de autoria do deputado Fábio Tardin – Fabinho (PSB). A legislação garante às atletas, paratletas, atletas-guia e técnicas a manutenção do benefício do Projeto Olimpus desde a confirmação da gravidez até 180 dias após o parto.

Segundo o parlamentar, a medida busca assegurar proteção e respeito às mulheres que conciliam a carreira esportiva com a maternidade.

“Garantir o amparo às mulheres no esporte, especialmente durante a maternidade, é uma questão de justiça e respeito à trajetória dessas atletas. A lei assegura que gestantes e mães continuem recebendo o benefício desde a confirmação da gravidez até 180 dias após o parto, evitando que precisem escolher entre a carreira esportiva e a maternidade”, ressaltou.

A paratleta de goalball do Instituto dos Cegos de Mato Grosso, Ana Carolina Duarte, conhece de perto a importância dessa política. Ela iniciou no esporte paralímpico aos 13 anos, após adquirir deficiência visual aos 12. Convocada para a seleção brasileira em 2004, participou das Paralimpíadas de Atenas e construiu uma trajetória no alto rendimento.

Em 2021, mudou-se para Mato Grosso para ajudar no desenvolvimento do paradesporto e passou a integrar o programa Bolsa Atleta estadual. Durante a gravidez do filho Matheus, continuou recebendo o benefício garantido pela nova legislação.

“A escolha de engravidar é desafiadora para qualquer atleta. Ter essa segurança fez toda a diferença. Foi uma visão importante do Estado garantir esse amparo às mulheres”, afirmou.

A ex-jogadora de basquete Magic Paula, que esteve em Cuiabá na última semana, também destacou que o crescimento do esporte feminino no país é resultado de políticas estruturadas e investimentos contínuos ao longo do tempo.

Comente esta notícia

65 996658746 / 65 996658746
Rua Duarte da Costa, Várzea Grande / MT
Fale Conosco
Noveen
facebook instagram youtube