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06 de Maio de 2026

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Mundo Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2026, 08:19 - A | A

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Impacto na Renda

Estudo indica que brasileiros trabalham menos horas que média global

Um levantamento internacional com dados de 160 países, responsáveis por 97% da população mundial, aponta que os brasileiros trabalham, em média, menos horas por semana do que a média global. Enquanto trabalhadores ao redor do mundo dedicaram 42,7 horas semanais a atividades remuneradas em 2022 e 2023, no Brasil a média foi de 40,1 horas, considerando empregos formais e informais.

A análise foi elaborada pelo economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, com base em um banco de dados internacional organizado por Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley. As informações utilizam dados domiciliares compilados pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), Banco Mundial e União Europeia, entre outras fontes.

Brasil abaixo do esperado

Na comparação direta com 86 países com séries históricas superiores a duas décadas, o Brasil aparece na 38ª posição em horas trabalhadas. No entanto, quando os dados são ajustados de acordo com produtividade e perfil demográfico, o país cai para a 60ª posição entre 85 nações analisadas — situando-se no terço inferior do ranking.

Mesmo ao considerar fatores como carga tributária e transferências de renda (aposentadorias e benefícios sociais), o desempenho brasileiro segue abaixo do esperado. Nesse cenário, o país ocupa a 53ª posição entre 76 economias avaliadas.

Segundo Duque, o resultado sugere que o brasileiro trabalha cerca de 1 hora e 12 minutos a menos por semana do que seria previsto para seu nível de produtividade e estrutura demográfica. Quando entram na conta impostos e transferências, a diferença aumenta para 1 hora e 18 minutos a menos.

Produtividade, lazer e renda

O estudo mostra que, globalmente, a relação entre produtividade e horas trabalhadas segue um padrão em formato de “montanha”. Países que saem da pobreza e alcançam renda média tendem a ampliar a jornada de trabalho. Já nações ricas passam a reduzir as horas dedicadas ao emprego, priorizando lazer e qualidade de vida. A França, por exemplo, registra média de 31 horas semanais.

O que chama atenção, segundo os pesquisadores, é que o Brasil teria reduzido sua jornada antes de alcançar níveis elevados de renda. Para Duque, fatores culturais e maior valorização do lazer podem influenciar o comportamento.

O economista Samuel Pessôa avalia que a escolha por trabalhar menos é legítima, mas destaca as consequências econômicas. “Se trabalhamos 25% a menos, mesmo com produtividade igual, o PIB per capita será 25% menor”, resume.

Ele observa ainda que parte da diferença de renda entre o Brasil e países asiáticos, como Coreia do Sul e Taiwan, está associada não apenas à produtividade, mas também à quantidade de horas trabalhadas. No caso dos homens coreanos, a jornada supera em mais de cinco horas semanais o esperado para seu nível de produtividade; entre as mulheres, a diferença ultrapassa 11 horas em comparação às brasileiras.

Debate sobre jornada

Os dados surgem em meio às discussões sobre redução da jornada de trabalho no Brasil, como o possível fim da escala 6x1. Para os economistas, qualquer diminuição média nas horas trabalhadas tende a ter impacto direto sobre a renda per capita do país.

Ainda que haja ganhos de produtividade, a compensação não seria integral. A equação, segundo os especialistas, é simples: menos horas trabalhadas, mantidas as demais variáveis, significam menor produção média por habitante.

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